Stephen King não faz segredo de sua antipatia pela adaptação do aclamado filme de Stanley Kubrick, baseado em seu romance The Shining, e isso geralmente é visto como uma prova de que King é um maníaco por controle que não pode apreciar a genialidade de Kubrick. Mas um novo e brilhante artigo de Laura Miller argumenta que King realmente tem razão.

Na análise de Miller, a queda de Jack Torrance em brutalidade alcoólica é uma tragédia – e você deveria vê-lo como um “escritor nerd” que está lutando para ficar sóbrio, para então virar um monstro, justamente pelo seu desejo de tornar-se extraordinário. Torrance não começa como um monstro, e na verdade ele “poderia ser você.” Considerando que, no filme de Kubrick, Jack Nicholson interpreta Torrance como “muito louco” (na visão de King) desde o início. E o papel do álcool na desintegração de Torrance é subestimado.

King é, essencialmente, um romancista de moralidade. As decisões que seus personagens tomam – se é para enfrentar um bando de vampiros ou quebrar 10 anos de sobriedade – é o que importa para ele. Mas em “O Iluminado” de Kubrick, os personagens estão em grande parte nas mãos de forças além de seu controle.

É um filme em que a violência doméstica ocorre, enquanto o romance de King é sobre a violência doméstica como uma escolha que certos homens fazem quando eles se recusam a abandonar um direito defensivo, delirante. Para King, Kubrick trata seus personagens como “insetos”, porque o diretor realmente não os considera capazes de moldar seus próprios destinos. Tudo que eles fazem é subordinado a uma arrogante força irresistível, que é a estética altamente desenvolvida de Kubrick, pois eles são seus escravos. Em “O Iluminado” de King, o monstro é Jack. No de Kubrick, o monstro é Kubrick.