Homens jovens – que estavam atrás de batalhas sangrentas ou de imprecisões históricas em uma cena de sexo entre Temístocles e Artemísia para reclamar na internet – fizeram fila para a estreia de “300: Rise of an Empire” na sexta-feira. E, embora alguns pais tenham proibido seus filhos de assistirem a um filme para maiores de 18 anos por causa de todo o sangue e violência, eles provavelmente deveriam estar mais preocupados com os tanquinhos suados dos gregos.

Estamos todos familiarizados com as pressões que garotas e mulheres sofrem para estarem magras, mas as discussões sobre imagem corporal na maioria das vezes ignora os homens – uma parte da população que apresenta riscos crescentes de comportamentos prejudiciais à saúde devido à insegurança com o próprio corpo. Os homens estão sentindo o aumento da pressão para ganhar massa muscular e peso, e não perdê-lo.

O homem comum, segundo estudos, quer um ganho de entre 7 e a 12 quilos de músculos e uma perda de 3 a 4% de gordura corporal. E um novo estudo publicado em janeiro no periódico de pediatria JAMA Pediatrics indica que 18% dos garotos estão muito preocupados com seu peso e físico. Não atingir essas metas corporais irrealistas podem levar a depressão, a comportamentos de risco (como beber e usar drogas) e também a distúrbios alimentares. Enquanto cerca de 15% dos garotos que estão preocupados com seu corpo estejam preocupados com a sua magreza, cerca de 50% está preocupado em ganhar mais músculos e mais um terço está preocupado com ambos.

Muitas dessas mudanças são graças a imagens midiáticas – e a série de filmes “300” lidera a divulgação de padrões de corpo masculinos irrealistas (e é apoiada por videogames e anúncios de roupa com homens seminus).

Em cena, Andrew Pleavin, o único ator do elenco de “300” a conseguir completar o treino homônimo. (Foto: Reprodução)

Quando o primeiro filme da série 300 chegou aos cinemas em 2006, um esgotante programa de exercícios chamado de “treino do 300” chegou às academias de todos os Estados Unidos com homens tentando obter corpos de gladiadores. O treino, que foi desenvolvido exatamente para que o elenco dos filmes chegasse à forma retratada, tem um conceito bem simples: 300 repetições de vários exercícios sem pausas. Apesar de simples, ele é tão intenso que o elenco teve de treinar seis horas por dia, cinco dias por semana, durante quatro meses antes que pudesse sequer tentar o “treino do 300”, e apenas um ator, Andrew Pleavin, foi capaz de realmente completá-lo. Em uma entrevista à revista Men’s Health, Gerard Butler admitiu que ele não conseguiu malhar por um ano depois de filmar 300, já que o programa de exercícios lhe causou tanta fadiga física. Confira a entrevista, em inglês, do ator.

E ainda assim, publicações como a Men’s Health apresentou versões intermediárias e iniciantes do “treino 300”. Vídeos instrutivos no YouTube de treinos similares não faltaram. De repente, rapazes comuns desejavam ter corpos dos gladiadores do filme 300.

Por quê? Os corpos masculinos bombados que enfeitam nossas telas de cinema levam os meninos a pensarem que estão inadequados. Uma pesquisa mostrou que 25% dos homens com um peso saudável pensam que estão abaixo do peso. E uma recente pesquisa da TODAY/AOL Body Image descobriu que os homens se preocupam mais com sua aparência do que com sua saúde, família, relacionamentos ou sucesso profissional. 53% dos homens disseram que se sentiam inseguros com sua aparência pelo menos uma vez por semana.

Pais, professores e médicos muitas vezes ignoram distúrbios do peso em homens porque os sintomas não são os mesmos do que nas mulheres, de acordo com um artigo recente da Atlantic. A maioria das avaliações de distúrbios alimentares incide sobre meninas que passam fome ou induzem o vômito, para emagrecerem. Meninos estão envolvidos em um tipo de comportamento doentio diferente: malhar obsessivamente, tomar substâncias naturais mas não regulamentadas como pós ou shakes para ficarem maiores e até mesmo estão tomando esteroides. Tais esforços pode afetar o crescimento de jovens rapazes e, no caso de esteroides, podem causar problemas de comportamento, irritabilidade e depressão.

“Ao invés de quererem doentiamente ficar menores, eles estão usando meios nada saudáveis para ficarem maiores,” contou ao Atlantic o Dr. Alison Filed, um professor de pediatria do Hospital Infantil de Boston e o principal autor do citado estudo do JAMA Pediatrics.

Os profissionais de saúde estão lentamente definindo a diferença entre comportamento saudável e comportamento exacerbado para homens e garotos. Mas isso provavelmente vai acontecer muito antes que a consciência pública perceba os perigos que a ênfase excessiva a metas corporais inatingíveis pode causar.