Nada se cria, tudo se copia? Ou tudo inspira? Arte se renova?

Pois bem, o site Flavorwire listou alguns filmes que possuem obras de arte como referências fortes e explícitas. Algumas delas serviram de base para desenvolvimento da história, fotografia, contextualização e construção de personagem, figurino e interferiu até nas atuações. Confira o poder dessas obras clássicas em grandes filmes:

A origem e Escher

O alucinante filme de Nolan faz uso claro de desenhos de Escher, que lembra não só no tema surreal do filme, mas também os recursos visuais geométricos marcantes, onde escadarias intermináveis ​​parecem levar ao infinito (escada de Penrose) e edifícios dobrando. Estas ilusões ópticas são a base do mundo de sonho lúcido de Nolan. O nome do personagem de Pete Postlethwaite (Maurice Fischer) é também uma homenagem ao artista holandês (nome completo, Maurits Cornelis Escher).

Melancolia e Millais

A imagem de Justine flutuando rio abaixo com seu buquê de casamento foi inspirada na pintura Ophelia – o personagem icônico de Shakespeare, que se tornou um símbolo da loucura feminina. – na obra de 1852 do artista Millais.

Barry Lyndon e William Hogarth

A visão de Kubrick ao recriar o amontoado e brilho do trabalho de William Hogart foi milagrosamente colocada na tela. Iluminados apenas por velas, os atores nas diversas seqüências de jantar e jogos de azar foram instruídos a se mover mais lentamente possível, para evitar subexposição.

Goya e O Labirinto do Fauno

O cineasta espanhol discutiu as influências históricas de arte por trás de seu obscuro conto de fadas ‘O Labirinto do Fauno’, em uma entrevista de 2006: ‘Goya era uma referência óbvia, especificamente no que diz respeito ao caráter do homem pálido. Há uma cena em que o Homem Pálido morde a cabeça das fadas. Isso vem diretamente da pintura .’

Encontros e Desencontros e John Kacere

As obras de Sofia Coppola usam pistas visuais para contribuir para a narrativa de seus personagens. A cena de abertura de Scarlett Johansson no filme é praticamente uma imagem espelhada das pinturas cheias de derrière (traseiro) de John Kacere. A obra de arte real aparece mais tarde no filme.

 Lua Negra e Balthus

Louis Malle capturou a pose erótica (no ângulo da visão de um voyeur) da obra ‘ Os dias dourados’ de Balthus para sua surreal história de despertar sexual exposta no filme Lua Negra. Assim como Balthus, Malle insere na obra referência à formas fálicas/genitais.

O Iluminado e Diane Arbus

A fotografia de Diane Arbus que retrata duas irmãs gêmeas, Cathleen e Colleen Wade, seriam referências visuais para o filme O Iluminado. No entanto, parece haver algum debate sobre essa afirmação. Alegadamente, Kubrick estudou com Arbus durante seus dias como um fotógrafo amador para a revista Look na década de 1940 – isso foi duas décadas antes da fotografia Arbus ser tirada. Outras pessoas, incluindo a viúva de Kubrick, Christiane Harlan, dizem que a influência é mera coincidência.

 Cinzas no Paraíso e Andrew Wyeth

Terrence Malick capturou a luz, texturas, e quietude da pintura da obra ‘Christina´s World’, de Andrew Wyeth em seu filme sobre um triângulo amoroso trágico que se passava em uma fazenda no Texas Panhandle, durante o início do século 20.

Enrolados e Fragonard

O produtor e diretor de Enrolados, Glen Keane, explica como animador Kyle Strawitz alcançou olhar pictórico do filme, que Keane queria que parecesse “romântico e exuberante” como um filme da Disney tradicional desenhado à mão: ‘Kyle nos ajudou a atingirmos a aparência da Garota no Balanço de Fragonard. Ele pegou a casa de Branca de Neve e os Sete Anões (1937) construiu em CGI, e pintou de modo que parecesse uma pintura plana, que de repente começou a se mover, com dimensão, mas mantendo todas as curvas suaves e redondas das pinceladas de aquarela.’

Psicose e Edward Hooper

Hitchcock desenhou a sinistra casa Bates inspirado na pintura de Hopper, ‘Casa ao lado da ferrovia’. Em entrevista, o diretor afirma que se o personagem de Anthony Perkins, Norman Bates, fosse uma obra, seria pintada por Hopper.

Caminhos Perigosos e Caravaggio

Scorsese fala sobre a escolha: ‘Eu estava imediatamente tomado pelo poder das obras de Caravaggio (…) Então ele estava lá. Ele meio que permeava todas as sequências de bar em ‘Caminhos Perigosos’. Ele estava lá do jeito que eu queria que o movimento da câmera fosse e na escolha de como encenar uma cena. É basicamente pessoas sentadas em bares, pessoas nas mesas, se levantando. O Chamado de São Mateus {a obra}, mas em Nova York!’

Magritte e O Exorcista

A imagem do cartaz de 1973 do arrepiante filme de terror de William Friedkin, O Exorcista, tirada de uma cena  visualmente impressionante do filme com Max von Sydow, ecoa o brilho fantasmagórico da pintura de Magritte.

Metropolis e Pieter Bruegel

Fritz Lang fez uso explícito da A Torre de Babel de Bruegel, embora a história seja alterada a partir da Bíblia para o filme.

Thomas Gainsboroughs e Django

O diretor Quentin Tarantino costuma inserir ousadas e às vezes óbvias referências em seus filmes, como o macacão de Uma Thurman em Kill Bill, que é idêntico ao de Bruce Lee. Nesse caso, a roupa faz referência a obra ‘The blue boy’ de Thomas Gainsboroughs.