Foi em meados de 2012 que os menes começaram a se espalhar pela internet. Mas ainda hoje, Thiago Schwartz escuta vez ou outra alguém acusar o seu site de erro de digitação. “Não é mene, é meme”, alertam. Com número crescente de seguidores, o Site dos Menes, Tumblr que surgiu há pouco mais de um ano e deu origem a uma página no Facebook com 83,6 mil seguidores, tem sido cada vez mais responsável por popularizar

Os menes são uma brincadeira com os menes. Ou os “memes que não são memes”, explica Schwartz. Com um humor sem sentido e totalmente sem compromisso, os menes exploram o improvável, o oposto do que se tornaria meme ou viral na internet, na maioria das vezes com alguma ironia embutida. O que começou como pura brincadeira hoje é usado cada vez mais como ferramenta bem-humorada de crítica pela internet. “O conceito de mene é muito abrangente, cada um tem sua própria visão e seu próprio processo criativo. Alguns fazem menes em cima das notícias do dia, alguns usam temas conhecidos na internet, outros se preocupam em criar algo que faça o mínimo sentido possível”, diz Schwartz, conhecido no Twitter como @perereco.

Um exemplo para entender a dinâmica dos menes  é que logo após o auge dos protestos pelo País, o Site dos Menes publicou o “mene da Angélica que escreve músicas sobre protestos”, fazendo uma brincadeira com a música “Vou de Táxi”.

Nesta semana, o Rock in Rio também entrou na pauta do site, com o “mene da banda de heavy metal que vem para o rock in rio tocar versões muito animadas de clássicos do axé nacional”.

 

 

 

 

 

 

Os dois menes brincam com a popularização de fatos que ganharam destaque no País. Para que o mene seja considerado engraçado, é importante que o leitor tenha algum conhecimento sobre aquele assunto para entender a ironia da brincadeira, além de estar muito acostumado com esse tipo de humor. “A maioria dos nossos leitores tem entre 15 e 30 anos e possui bom conhecimento sobre assuntos gerais, política e a internet, o que tem colaborado para os menes estarem cada vez mais associados a acontecimentos do dia a dia”, diz Schwartz .

“A intenção primária sempre é o humor, mas às vezes é inevitável a influência dos menes com os leitores. Por se tratar de uma produção coletiva, não temos nenhum tipo de visão política ou ideológica específicas, mas nossas opiniões individuais acabam sendo externalizadas de alguma maneira”, diz.

Origens.
A origem do Site dos Menes está em uma série de e-mails que Schwartz trocava com os amigos fazendo piadas em cima de memes. “Um amigo disse: ‘E se houvesse um site com memes que não são memes?’. Nesse momento eu resolvi ver no que daria e criei um Tumblr”, diz.

O termo “mene” foi inspirado no personagem Basimguinho, que já circulava na web como uma crítica às páginas de memes, retratado como um personagem que constantemente posta memes em seu Facebook e Twitter para “alegrar” seus seguidores.

Com a popularidade do Tumblr em alta, Schwartz e os amigos criaram também uma  página no Facebook para que os fãs dos menes pudessem comentar, opinar e participar. Hoje, o Site dos Menes tem 16 colaboradores fixos de diversas áreas diferentes.  Há designers,  publicitários, programadores, entre outros.  “A gente só deu certo porque soube ouvir o que as pessoas tinham pra falar, porque não nos deixamos levar por esse pensamento de superioridade, de relação ídolo e fã (que infelizmente toma conta de alguns outros blogs). Nós somos os nossos leitores, a única diferença é que temos a senha pra publicar os posts”, diz.

O grupo já pensa em maneiras de monetizar a página e transformar em um negócio, como fizeram outros expoentes do humor que ganharam força pela rede social, como a página Diva Depressão, que tem uma loja virtual onde vende produtos estampados com algumas das imagens populares na rede.

Confira outros menes:

“Mene do bebê que adora segunda-feira”

“Mene do papa que curtê karaokê para se distrair nas viagens”

“Mene do sertanejo realmente universitário”

“Mene da garota fake da página de downloads que ousa falar sobre assuntos pertinentes”