Pela primeira vez, a filha adotiva de Woody Allen, Dylan Farrow, escreve sobre a acusação de que o diretor de Hollywood teria abusado dela quando ela era criança. O caso é extremamente difícil porque Allen sempre negou o abuso e nunca chegou a ser acusado formalmente pela Justiça norte-americana. Dylan, porém, até agora vivia na Flórida com o marido sob um nome diferente e, ano passado, foi diagnosticada com estresse pós-traumático.

Em 1992, com o divórcio de Allen e a atriz Mia Farrow, o caso veio a público com alegações de abuso sexual. As investigações foram complexas: psiquiatras ficaram do lado de Allen, mas investigadores se dividiram. Um promotor chegou a dizer que havia provas suficientes para acusar o diretor, mas que iria “poupar” a menina de passar por procedimentos jurídicos. Ela tinha sete anos na época.

Depois de ver Woody Allen receber um prêmio no Globo de Ouro e ser constantemente admirado e elogiado por Hollywood, fãs e a mídia, a polêmica voltou aos holofotes. Dylan resolveu falar e uma carta aberta dela foi publicada hoje (1) em um blog do The New York Times. Em sua carta aberta, ela não tem medo de citar nomes: “e se tivesse sido o seu filho, Cate Blanchett? Louis CK? Alec Baldwin? E se tivesse sido você, Emma Stone? Ou você, Scarlett Johansson? Você me conheceu quando eu era uma garotinha, Diane Keaton. Você se esqueceu de mim?”

Veja o primeiro parágrafo do relato. A íntegra, em inglês, está no site do The New York Times:

Qual é o seu filme favorito de Woody Allen? Antes de responder, você deve saber: quando eu tinha sete anos de idade, Woody Allen tomou-me pela mão e me levou para um sótão de luz fraca e parecido com um closet no segundo andar da nossa casa. Ele me disse para deitar de barriga para baixo e jogar com conjunto de trem elétrico de meu irmão. Então, ele me agrediu sexualmente. Ele falou comigo enquanto ele fez isso, sussurrando que eu era uma boa menina, que este era o nosso segredo, prometendo que eu iria para Paris e eu seria uma estrela em seus filmes. Lembro-me de olhar para esse trem de brinquedo, concentrada nele enquanto ele andava em círculos ao redor do sótão. Até hoje, é difícil olhar para trens de brinquedo.