Como forma de celebrar o Dia Nacional da Deficiência (21 de Setembro), a Orquestra Sinfônica de Santo André, na Grande São Paulo, fez nesta quarta-feira um concerto sensorial com deficientes auditivos.

Sob o comando do maestro Abel Rocha, alunos deficientes auditivos da rede municipal de ensino e do Senai Jacob Lafer conheceram os instrumentos musicais e tiveram a oportunidade de aprender mais sobre o funcionamento de uma orquestra.

A iniciativa partiu do próprio maestro e do coordenador do programa “Caminhando Para a Saúde”, da secretaria da Saúde de Santo, André Sebastião Neves. Segundo o representante da prefeitura, a cultura, assim como o esporte, é uma ferramenta de inclusão social. “Quem sabe um dia também veremos um surdo tocar em uma orquestra. O problema está no descrédito da sociedade e não na persistência do surdo”, disse Neves.

Estudantes Valberto Lima tem deficiência auditiva e despertou interesse em fazer curso de música clássica. (Foto: André Porto/Metro Jornal)

O maestro diz que fazer o concerto sensorial é uma forma diferente de levar os deficientes auditivos à música. “A orquestra é uma grande parte da divisão dos polos da cultura. Temos que promover a integração e fazer atividades para diversificar o acesso à música”, disse.

Sentimento

Durante a atividade, foi ensinado aos deficientes auditivos como é feita a propagação do som. Como forma de exemplificar o fenômeno, a vibração foi a maneira de os alunos sentirem a música. Para isso, eles ficavam próximos ou com as mãos nos instrumentos.

As vibrações do bumbo e de apitos e bexigas utilizados na atividade foram as prediletas dos estudantes.

Com ajuda de uma tradutora de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), o Metro Jornal conversou com os participantes. Giovanni Rodrigues Vieira, de 13 anos, aluno da Emeief (Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental) Nicolau Morais de Barros, na Vila América, disse em gestos que se emocionou com a energia dos instrumentos.“Senti a flauta, o tambor e o violoncelo. Gostei do maestro. Senti a vibração e me emocionou, até arrepiou meu cabelo”.

Alunos sentem a vibração causada pelos instrumentos. (Foto: André Porto/Metro Jornal)

Aluno com deficiência visual do Senai Jacob Lafer, Emerson Luiz, 26 anos, disse em sinais que anteriormente acreditava que a música clássica fosse exclusiva para quem ouve. “Sentir ao vivo com profissionais é um registro novo que nunca vou esquecer. Leva para alma, é algo positivo. Vou guardar com carinho esse dia.”

Também estudante do Senai, Valberto de Lima, 37 anos, afirmou em gestos que sempre teve vontade de fazer música clássica. “Quando eu morava em Fortaleza, um amigo meu viu o interesse que eu tinha, mas falou que eu não podia participar. Com essa oportunidade agora, quero procurar um curso para ter uma sensibilidade a mais”, afirmou Lima.