Existe uma coisa chamada queijo humano. Como assim humano? Bem, ele é feito de leite de vindo de seios de mulheres. Mulheres humanas. Não é nojento, certo? É leite humano, é natural. Ok, continua nojento. Você comeria esse queijo, apesar disso?

Eu acho que eu não comeria. Leite humano é para bebês, assim que você atinge certa idade, é hora de parar com isso. Você apaga de sua memória e sobrepõe isso com pensamentos sobre novas mamas. Nada de transformar em queijo! Espera-se que queijo seja delicioso, não um aperitivo para canibalismo. Depois disso, será que irão usar sangue pra fazer vinho?

Mas pensando bem, talvez eu até provasse. Porque quão natural é roubar o leite de uma vaca e transformar isso em queijo? Leite humano é o mais natural que podemos ter, porque afinal de contas, muitos de nós crescemos com ele. É a salvação da humanidade, é a raiz de nossa existência. E, bem, foi feito pra isso mesmo.

Miriam Simum, uma estudante da NYU, começou o projeto do queijo para contestar a ideia de saúde, ética natural, biotecnologia e basicamente toda ideia socialmente condicionada em nossas cabeças. Ela pergunta:

Se nós rejeitamos comida tecnologicamente modificada em favor do que é ‘natural,’ quão longe teremos que ir? Se nós estamos determinados a continuar desfrutando nosso queijo, talvez seja mais natural, ético e saudável comer queijo humano?

Atualmente, existem três sabores: Sweet Airy Equity, que é suave, duro e feito a partir do leite de uma jovem mãe de descendência chinesa. Wisconsin Bang, um delicioso queijo cremoso feito com o leite de uma meiga assistente de advogado, nascida em Wisconsin. E City Funk, um queijo fedorento de uma discreta senhora em Manhattan.

Parece tudo tão moralmente correto mas, não, eu não posso fazer isso. É demais. Orgânico, alimentado com capim, criado solto, sei lá, isso é o que é natural pra mim. Leite humano, nem tanto.