Altamente complexo, o DNA é um dos pilares que sustentam a vida como a conhecemos hoje. Apesar disso, acredita-se que os primeiros seres vivos não se desenvolveram a partir do DNA, mas de uma molécula mais simples, o RNA, também capaz de armazenar informações genéticas.

Ainda assim, o próprio surgimento do RNA no caótico ambiente da Terra primitiva permanece um mistério para a ciência. Em 2009, depois de muitas tentativas (e com base em décadas de pesquisa), cientistas foram capazes de gerar (em parte) RNA usando elementos químicos que possivelmente existiam nos primórdios da vida em nosso planeta. O químico Matthew Powner, hoje ligado à Universidade College London (Inglaterra), junto com sua equipe, sintetizou dois dos quatro nucleotídeos que formam o RNA, sugerindo que a complexa molécula pode ter se formado espontaneamente na Terra primitiva.

Agora, Powner busca sintetizar DNA usando técnicas similares, o que é um desafio e tanto, já que o DNA é formado por nucleotídeos (moléculas específicas) diferentes e com os quais é mais difícil de se trabalhar.

Misteriosa reviravolta

Com base na ideia de que a vida se desenvolveu graças ao RNA, acredita-se que, ao longo de alguns bilhões de anos, os organismos primitivos passaram a “usar” DNA, capaz de armazenar mais informações, o que teria permitido o surgimento de seres mais complexos.

A ideia parece plausível, mas deixa uma pergunta: como organismos menos complexos foram capazes de dar esse “salto”? Mesmo criaturas mais complexas precisam de enzimas especiais e uma quantidade considerável de energia para converter RNA em DNA. Para o químico Christopher Switzer, da Universidade da Califórnia em Riverside (EUA), faz mais sentido que nucleotídeos de DNA já estivessem presentes na Terra primitiva e tenham sido incorporados por organismos. O estudo de Powner pode reforçar essa ideia.

Outra hipótese é a de que havia moléculas híbridas, formadas por nucleotídeos de RNA e DNA, que teriam sido absorvidas por organismos primitivos e gradualmente “purificadas”.

Seja como for, o início da vida permanece cercado de interrogações… por enquanto.