O Hospital Presbiteriano de Pittsburgh, nos EUA, começa a partir desse mês a uma técnica de animação suspensa para tentar tratar pacientes em estado grave. Para isso, eles terão sua temperatura corporal reduzida drasticamente – sim, mais ou menos como na ficção científica, médicos vão congelar pessoas para ganhar tempo e salvá-las de acidentes graves.

O hospital pretende testar a técnica em dez pessoas com lesões fatais, que não teriam chance de sobreviver através de tratamentos mais tradicionais. A técnica consiste em remover todo o sangue e substituí-lo por uma solução salina gelada, o que resfria o corpo a menos de 15 graus celsius, diminui as funções e reduz a necessidade de oxigênio.

Parece arriscado, né? A técnica foi desenvolvida por um médico chamado Peter Rhee, que a testou em porcos com sucesso em 2000. Mas também foi observada como eficaz em humanos em acidentes: a sueca Anna Bågenholm sobreviveu por 80 minutos presa embaixo de uma camada de gelo, dentro da água, ao ter a temperatura de seu corpo reduzida a 13,7 graus. Em 2006, Mitsukaka Uchikoshi entrou em um estado de hibernação hipotérmica e sobreviveu por 24 dias sem água ou comida. O mesmo aconteceu com seu corpo: com a temperatura mais baixa, as funções vitais reduziram e, com elas, a necessidade de oxigênio.

Nos experimentos com os porcos, o médico induziu lesões fatais nos animais e aplicou a técnica em uma parte. Todos os porcos do grupo de controle morreram, como resultado dessa lesão. Aqueles que tiveram o sangue substituído por uma solução salina gelada tiveram taxas entre 30% e 90% de sobrevivência, dependente da velocidade em que tiveram seus corpos reaquecidos.

Por enquanto, por razões de segurança, a técnica só será usada como medida de emergência em pacientes que sofrerem parada cardiorrespiratória depois de lesões severas e se já tiverem perdido metade de seu sangue. Pacientes como esses só têm 7% de chance de sobreviver, normalmente.