Imagine um hospital gratuito, que funcione como pronto atendimento, oferecendo consultas, cirurgias, exames laboratoriais, medicação e internação, além de profissionais especializados nas áreas que atuam, como oftalmologia, cardiologia ou ortopedia. Pensou em alguma unidade hospitalar humana? Na verdade, estamos nos referindo ao Serviço Veterinário da Anclivepa, conhecido como Hospital Veterinário Público de São Paulo.

O primeiro do Brasil, o hospital é uma parceria entre a Prefeitura e a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa) e possui duas unidades, uma na zona leste e outra na norte.

O serviço é destinado a todos os moradores da cidade de São Paulo. Por isso, além de RG e CPF, é necessário também a apresentação de comprovante de residência. (Foto: André Porto)

Mas, como muitos hospitais humanos públicos aos quais estamos habituados, seja a frequentar, seja a acompanhar as notícias, há pontos que ainda pedem por melhoras. O principal deles é a superlotação.

Juntas, as unidades atendem por dia 450 animais. O número definido por contrato? Apenas 45. O motivo para que a Anclivepa, responsável pelo gerenciamento, atenda dez vezes o número de pacientes limitado — e, portanto, pago — pela prefeitura pode parecer um tanto quanto nebuloso à primeira vista. Mas a explicação é direta.

A duas unidades do hospital atendem 450 animais por dia. (Foto: André Porto)

“Nosso papel é muito mais social do que qualquer outra coisa. A maioria das pessoas que vem para cá é de baixíssima renda, se eu mando embora, ela não tem o que fazer”, conta Lucas de Araújo Freitas, diretor do hospital.

Ainda que haja pessoas que reclamem da espera, a maioria parece reconhecer que não falta paixão e dedicação no trabalho. Lucas Lopes, desempregado de 20 anos que levou a gata Zebrinha para ser atendida depois uma semana sem comer, não hesita em afirmar: “O atendimento é ótimo. Eles tratam os animais muito bem”.

Veterinária faz massagem em cachorro recém nascido. (Foto: André Porto)

Inclusive, essa é uma preocupação recorrente. “A gente desenha, anota, traz exemplos do corpo humano para o do animal. Se a pessoa tem alguma dificuldade de compreensão, mandamos uma carta para alguém da família explicando o que foi falado na consulta”, conta Freitas.

Já para aquelas que não têm condições de comprar os remédios receitados, o próprio hospital as orienta a voltar todos os dias para que os pets sejam medicados. Passar por qualquer animal sem um olhar atencioso ou gesto de cuidado parece não ser uma tarefa possível por lá.

(Foto: André Porto)

Atenção às regras e horários

O serviço é destinado a todos os moradores da cidade de São Paulo. Por isso, além de RG e CPF, é necessário também a apresentação de comprovante de residência. Os cidadãos de baixa renda ou assistidos por qualquer programa do governo têm prioridade.

O atendimento acontece de segunda à sexta-feira das 7h às 17h para casos de emergência, com risco de morte iminente, ou de urgência, que deve ser resolvido rapidamente para não se agravar. Outros animais, em estado menos crítico, devem retirar senha. A distribuição começa uma hora antes, às 6h, e vai até às 10h.

O horário de funcionamento, a princípio, pode até parecer reduzido. Mas, como o diretor explica, os portões são fechados às 17h a fim de que os animais consigam ser liberados até o início da noite. As cirurgias, no entanto, não raro terminam perto da madrugada.

Lucas Lopes, proprietário da Zebrinha, não sabia das regras de funcionamento e, depois de chegar às 11h, teve de voltar para casa e tentar novamente no dia seguinte. “Hoje vim às 9h e consegui. Agora estou esperando me chamarem de novo para que a gata possa tomar o medicamento e fazer os exames”, diz, aliviado pela possibilidade de comprovar a suspeita de virose.

Mas não pense que chegar lá no meio da noite, a fim de ser um dos primeiros, garante atendimento mais rápido. Além de desnecessário — o hospital não antecipa o horário de abertura e mesmo casos mais simples são socorridos quando retirada a senha até às 10h — a atitude costuma gerar complicações ao hospital. “Eles passam a noite na porta dos vizinhos e, apesar de a rua ser pública e nós não termos controle sobre o que fazem, a vizinhança nos culpa”, conta Freitas.

O ideal mesmo é respeitar os horários e não se esquecer que, mesmo aos sábados, a unidade da zona leste funciona das 7h às 10h para casos de emergência ou para animais que precisem de medicação. Aos domingos e feriados não há atendimento.

Anote aí

Unidade zona norte
Av. General Ataliba Leonel, 3194, Parada Inglesa
Telefone: 2478 5305

Unidade zona leste
Rua Platina, 570, Tatuapé
Telefone: 4323 8502