Um vídeo português, produzido no ano 2000, trazendo uma abordagem contra o preconceito racial tem recebido destaque pelo mundo novamente, por meio da internet.

O vídeo mostra uma senhora que, ao entrar no avião, reclama à aeromoça que a troque de lugar já que ela está sentada ao lado de um negro. O desfecho do vídeo é realmente muito bom e com a mensagem que, traduzida, significa: “Coloque o racismo em seu devido lugar”.

O vídeo foi produzido em comemoração ao 50º aniversário da adoção da Declaração dos Direitos Humanos pela ONU (há 14 anos) e o alvo de sua crítica, apesar de um tanto camuflado, ainda é muito presente na sociedade, não apenas na Europa, onde o vídeo foi produzido, mas também no Brasil.

Essa discussão me remete a um texto escrito pela baiana, mestra em lingüística, Cris Oliveira, para o Blogueiras Negras. No texto, a autora que se desloca frequentemente do Brasil para a Alemanha, fala sobre como ela lida com o racismo em ambos os países. Segundo ela, no Brasil é muito mais difícil de lidar com o preconceito racial que na Alemanha.

A blogueira conta ainda uma experiência, que achei até semelhante ao vídeo acima.

“Teve uma vez que eu estava em um trem e um outro passageiro estava muito incomodado com minha presença. Não estava entendendo bem qual era o problema dele comigo até que ele fez um comentário racista se referindo a mim. Me levantei com a intenção de dizer umas poucas e boas a ele, mas antes de poder abrir minha boca, TODOS os passageiros do vagão (umas 15 pessoas ) se revoltaram e tomaram a frente, discutindo com ele de uma forma que me surpreendeu. A estória terminou com uma mulher que exigia que ele se desculpasse comigo e como ele se recusou os demais passageiros chamaram a polícia.”

Sobre o Brasil, Cris conta que fica chocada com o fato de que, no Brasil, em Salvador “é possível ser a única negra no restaurante, na aula de ballet, na sala de espera de consultório chique, na sala dos professores da escola particular”.

Além disso, ela fala ainda das iniciativas de inclusão: “Tem um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmos benefícios que o resto da sociedade.”

Essa questão citada pela blogueira também é um debate totalmente necessário. Infelizmente, é perceptível que mesmo em tempos em que Nelson Mandela é aclamado como herói por suas lutas, o racismo continua sendo um empecilho na sociedade.

Um vergonhoso fato que faz com que uma campanha como essa, no vídeo produzido há quase 15 anos atrás, ainda seja tão atual.