Uma família canadense decidiu fingir que vive nos anos 80. De equipamentos eletrodomésticos até roupas e corte de cabelo, Blair McMillan e Morgan Patey, que têm 28 anos mas parecem saídos de um álbum de família dos meus pais, tinham decidido viver todos os aspectos da vida como se eles estivessem em 1986. Só que não deu muito certo: eles desistiram.

Sim, essa é uma foto recente da família (Foto: Divulgação)

A brincadeira começou há um ano e eliminou da vida deles internet, smartphones, DVDs (só VHS) e qualquer bom gosto estético, como se pode notar. Além deles, foram obrigados a entrar na onda também seus dois filhos, de 5 e 3 anos. E claro que foi impossível fazer isso sem se isolar do resto do mundo, o que de acordo com uma declaração de McMillan para a CBC, foi o maior problema.

“A única maneira de falar com as pessoas era telefonando, e ninguém mais faz isso hoje em dia”, ele reclamou. Mas disse que a experiência funcionou bem para fazer a família se sentir mais ligada. “Foi uma experiência muito positiva. É agridoce saber que a gente vai desistir, porque nos divertimos mais do que eu pensava”, ele disse.

De fato, é complicado voltar a viver em 1986 quando o resto do mundo está em 2014 (eu achava que o ponto era exatamente esse). Parece que o casal queria uma maneira de eliminar os males que a tecnologia pode trazer – a impessoalidade, a falta de contato pessoal – mas o fato de isolar-se em um comportamento do século passado só acentuou esse problema. E o fracasso mostra bem que a questão não é a tecnologia em si, mas no uso que as pessoas fazem (ou não fazem) dela.