A baixa autoestima é um perigoso veneno que, eventualmente, destrói qualquer potencial de uma vida feliz. Não se deixe contaminar. Ser quem se é sem precisar da aprovação alheia é a única maneira de ter uma vida saudável. No entanto, é preciso aprender a desviar das situações e pessoas que nos deixam com a autoestima no chão.

Desde quando nascemos somos bombardeados pelos padrões da sociedade, impostos principalmente pela mídia. Crescemos acreditando que sermos nós mesmos não é suficiente, que nosso corpo não é bom o suficiente, muito menos nossa personalidade. Que sermos nós mesmos não inspira uma vida de sucesso – palavra obrigatória no vocabulário de quem cai nesta cilada. E então, começamos uma corrida para atingir as expectativas dos outros em relação a nós e a nossa vida. Muitas vezes, a corrida é feita para atingir as expectativas dentro de nossas próprias casas. Não é exatamente isto que acontece? E quando percebemos que entramos numa cilada, já se passaram uns bons anos de nossa juventude sob tal pressão, os quais ficamos atolados numa lama de baixa autoestima e sentimento de fracasso. E é exatamente assim que se molda uma pessoa insegura e cheia de medos para enfrentar a vida.

Como seria bom se todos nós tivéssemos tido a confiança necessária para sermos quem somos em todas as situações, para respeitarmos nossa personalidade e o nosso corpo exatamente como são. Para dizer sim e para dizer não quando fosse apropriado. Mas, a boa notícia é que o tempo nos ensina tudo, inclusive como curar o nosso sentimento doentio de baixo autoestima e não aceitação de nós mesmos. Por isso, não se contaminar com a expectativa alheia vai levar você a uma vida mais saudável emocionalmente. E, por consequência, mais feliz.

Eis aqui algumas dicas para começar esta jornada. Seguir diariamente esses passos é uma maneira para desintoxicar a si mesmo de pensamentos negativos ligados a traumas e frustrações passadas. Aprender a ser mais assertivo em relação às pessoas, e à vida, é importantíssimo para melhor conhecermos a nós mesmos. E, também, para nos dar a segurança de enfrentar a vida de cabeça erguida e em paz com quem se é e como se é.

1. Livre-se dos relacionamentos tóxicos

É hora de rever nossas relações e nossas amizades. Qualquer relacionamento que seja tóxico vai levar você a constante estresse. Por um relacionamento tóxico entenda-se duas coisas: 1) Pessoas que somente apontam os defeitos, nunca as qualidades. Livre-se delas. Pessoas que somente concentram-se nos aspectos ruins em relação a tudo e a todos nos prendem num círculo vicioso de negatividade e opressão. Cerque-se de pessoas que, ao invés de somente apontar os problemas, ajudam a resolvê-los. 2) Quando o outro coloca-se em primeiro lugar, não cedendo espaço para você. É aquele relacionamento onde você fica sempre em segundo plano, suas ideias ou os seus problemas ficam sempre arquivados para serem discutidos depois, assim como as suas vontades. Você é praticamente aquele que “serve” o outro. Você disponibiliza seus ouvidos e seu tempo para o outro, sem receber, de maneira justa, a atenção que merece. Nada é sobre você, tudo é, sempre, sobre o outro.

Estes tipos de relacionamentos, sejam eles de amizade ou românticos, jogam-nos para o nível mais baixo da autoestima, uma vez que nos sentimos sem importância e explorados. Livre-se de qualquer relacionamento tóxico ou imponha-se com determinação para mudar este quadro. Diga “não” com segurança quando for o caso, e seja assertivo.

2. Reavalie os lugares e os círculos sociais que frequenta

Muitas vezes, não fazemos a conexão entre a maneira que nos sentimos e os lugares em que estamos. O ambiente que frequentamos é uma extensão de nós mesmos. Se você está a frequentar ambientes que não tem nada a ver com a sua personalidade, é hora de pensar de novo. É normal que, por hábito, continuemos a frequentar os mesmo lugares que frequentávamos em outros períodos de nossa vida, sem considerar, no entanto, que vivemos em constante mutação. Respirar novos ares e conviver com outros grupos sociais nunca é má ideia. Isso te desconecta do passado e te trás para o presente, dando-lhe a chance de rever conceitos, valores, avaliar as pessoas com as quais convive e recomeçar outros rumos.

3. Perdoe, perdoe-se e livre-se de ressentimentos

Antes de tudo perdoe-se por qualquer coisa da qual você ainda sinta culpa. É o primeiro passo para, também, perdoar outras pessoas e livrar-se de ressentimentos. Se for preciso anote num papel os nomes das pessoas com quem você teve desentendimentos no passado e, uma por uma, livre-se das más memórias, perdoando qualquer ofensa que tenha sofrido. Se for o caso, peça perdão e decida-se por esquecer as mágoas e as situações nas quais se sentiu oprimido, ou foi o opressor. O passado pertence ao passado. Jogue fora qualquer lembrança que apenas serve para resgatar sentimentos de raiva e frustração, pois eles são como obstáculos no caminho, dificultando que você siga em frente. Concentre-se no que você ainda pode conquistar, não no que você perdeu. E “let it go”!

4. Não se compare com outros, aceite-se

Se você se compara com os outros, você não está sozinho. Muitas pessoas, mais do que imaginamos, se comparam com outras pessoas. Esta é uma reação comum e quase inconsciente, e provoca em nós todos os tipos de sentimentos ruins, como inveja, frustração e sentimento de fracasso. É preciso policiar-se. Antes de comparar-se com o outro, lembre-se que o outro trilha um caminho completamente diferente do seu, com outras pessoas ao redor, com outro ambiente familiar, com outras ambições, sonhos e expectativas. Comparar duas vidas completamente diferentes é boicotar-se nas próprias conquistas e qualidades. Ao invés de concentrar-se no outro, concentre-se em você. Aceite-se. Não compare a si mesmo com os outros, compare você agora e você no passado. Veja o que mudou, o que você aprendeu, ou desaprendeu, veja o que ainda pode mudar, veja o que pode ser melhorado. Este é o único tipo de comparação que você pode fazer para evoluir. Compare você com você mesmo.

5. Reinvente-se

Por que não tentar algo novo? Reinventar a própria realidade é uma ótima maneira de descobrir a si mesmo e tentar novas coisas. Acreditar que se pode fazer as coisas de maneira diferente é ajudar a si mesmo a construir uma autoestima poderosa, uma vez que neste processo aprendemos a identificar nosso medos e a combatê-los, saindo da zona de conforto e abrindo-nos possibilidades. Faça aquele curso de literatura ou culinária que você sempre quis. Inscreva-se num curso de fotografia. Compre uma máquina fotográfica. Viaje para um lugar diferente desta vez. Pinte sua casa com uma nova cor, experimente fazer algo que você nunca fez. Faça algum tipo de serviço voluntário. Ame a si mesmo e ame aos outros. Ajudar os outros é ajudar a si mesmo. A Ciência já comprovou que solidariedade é uma das chaves para a felicidade, portanto, o que você tem a perder? Doe seu tempo para ajudar uma causa na qual você acredita. Mude os hábitos, mude a rotina, mude os pontos de vista, seja criativo. Enfim, isso é reinventar-se!