É comum vermos na televisão e na internet comerciais [principalmente alguns de cerveja ou desodorantes masculinos] que incentivam o machismo e que tratam a mulher como ser passivo ou praticamente objetos.

Desta vez, uma propaganda de cunho semelhante estava sendo veiculada nas rádios, ao tentar justificar a superlotação dos trens e metrôs no estado de São Paulo.

Na última terça-feira, dia 25, os deputados estaduais Alencar Santana e Luiz Cláudio Marcolino, ambos do PT, protocolaram na Promotoria de Justiça de Direitos Humanos de São Paulo, uma representação contra o secretário da Casa Civil do governo do Estado, Edson Aparecido; o diretor-presidente da CPTM, Mário Bandeira, e o diretor-presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco.

A razão foi a veiculação de um spot de rádio [ridículo] de cunho machista e que incentiva o assédio sexual durante os horários de pico no metrô.

No comercial, o personagem auto-intitulado “Gavião”, fala sobre os investimentos do governo estadual no transporte sobre trilhos e justifica a superlotação nos horários de pico, sugerindo ainda que o momento é propício para “xavecar a mulherada”.

“Nos horário de pico é normal trem e metrô ficá lotado. É assim nas grande metrópole espalhada pelo mundo. Pá falá a verdade eu até gosto do trem lotado é bom pra chavecá a mulherada né mano! Foi assim que eu conheci a Giscreusa. Muito já foi feito e o governo sabe que ainda tem muito pra fazê (sic)”.

Ouça o spot clicando aqui.

Na representação em questão, os deputados que denunciam o spot citaram as 23 ocorrências já registradas na Delegacia do Metropolitano – Delpom, apenas em 2014.

Sua crítica se estende ao fato de além do governo do estado não assegurar transporte digno onde a mulher possa preservar o direito básico de não ter seu corpo usado como instrumento, pelo contrário, a campanha ainda reforça tal cultura machista.

Segundo eles, essa “propaganda sexista e estigmatizante dos usuários e das usuárias do transporte coletivo, o governo do Estado de São Paulo: 1) reforça a cultura machista da cantada e da abordagem agressiva das mulheres; 2) banaliza a violência sofrida cotidianamente pelas mulheres; 3) contribui para a legitimação da violência contra mulheres e 4) reforça a visão da mulher como objeto passivo do desejo do homem e de que seu corpo é público por isso pode ser alvo de cantada e de ‘xaveco’”.

Na justiça, foi solicitada a instauração de inquérito civil, para apuração das responsabilidades civis e administrativas; que oficie à Promotoria Criminal competente para apuração da prática de crime pela veiculação da propaganda institucional; que sejam adotadas providências para a imediata suspensão da propaganda, caso ainda esteja sendo veiculada; sejam adotadas providências para compelir o governo do Estado a promover propaganda educativa de promoção dos direitos das mulheres.

A rádio que veiculou o comercial acima já noticiou pelo twitter que o comercial não está mais sendo veiculado, assim como também foi solicitado.