A roteirista Renata Corrêa trouxe um ponto muito importante para ser discutido hoje no seu perfil no Facebook. Um grupo de pessoas resolveu marcar um “Beijaço LGBT” no dia 1º de janeiro de 2017, data da posse do novo prefeito do Rio de Janeiro, o bispo Marcello Crivela (PRB), por conta das declarações de que a homossexualidade é uma “conduta maligna” e um ” terrível mal”, publicadas em seu livro “Evangelizando a África”.

Na publicação de Renata, ela aponta que “parte da esquerda esclarecida anda reclamando e as reclamações vão desde o pessimista ‘é inócuo’ e ‘esse tipo de afronta não contribui com a abertura do diálogo’. E sim, essa é uma constante, não só da esquerda, mas de grande parte das pessoas, mesmo as que a favor dos direitos LGBT.

O grande ponto é que, como podemos pensar, e mais, falar isso em pleno 2016? Nenhuma manifestação é inócua, se feita por um motivo, e um novo prefeito dizer que homossexualidade é algo errado e tão pavoroso me parece um belíssimo motivo. Inclusive na verdade até sem motivo manifestações são válidas, porque mostram que vivemos em uma sociedade livre.

Ai termos a questão da “afronta”, Renata fala de forma contundente e real. ” É tão surreal. Que o beijo de duas pessoas do mesmo sexo ainda ‘afronte’ ainda mais numa sociedade que não se escandaliza com mais nada. Não se escandaliza com a violência e com a morte. Que lava a louça na cozinha ouvindo Datena na tv em alto volume na sala. Se um beijo, uma manifestação de afeto é chocante para uma parcela da sociedade a ponto de gente de esquerda usar o termo ‘afronta’ já anulamos o argumento do ‘é inócuo’. Tem mesmo é que reafirmar a existência. Beijando muito. Se agarrando. Ocupando o espaço público e não é só em beijaço e na parada gay não. É na porra toda”, diz no texto.

O movimento LGBT luta para existir e resistir e não podemos ficar calados diante dos avanços da caça dos nossos, já pífios direitos. Por isso LGBT beijem-se, até não ser mais afronto, até perceberem que é só amor.

Confira o texto completo da roteirista: