“São as avós delas?” é o que a maioria das pessoas perguntavam quando entravam na exposição fotográfica Atavoz, da artista e fotógrafa chilena Pola Fernandez, na Casa Canon durante o Paraty em Foco. A resposta trazia a surpresa, e a grande beleza deste projeto: na verdade elas nunca se conheceram, mas as mulheres atuais encontravam familiaridade nas fotografias antigas.

(Foto: Pola Fernandez)

O projeto tem a intenção de criar um vinculo simbólico com a ancestralidade africana, já que por muito tempo não houve registro das famílias vindas da África e seus descendentes no Brasil. “A afrodescendência não tem uma árvore genealógica completa”, explicou Pola Fernandez em entrevista ao iPhoto Channel.

“As pessoas perguntam no primeiro impacto: nossa, mas todas elas são parentes? Não, realmente elas não são parentes. Mas é isso que é o Atavoz, que vem do atavismo, o vínculo com a ancestralidade”, diz a fotógrafa.

Para criar o projeto, a fotógrafa apresentou várias fotos de mulheres africanas que foram escravas no Brasil a um grupo de mulheres negras da terceira idade e pediu para que elas dissessem com qual elas se identificavam mais. Em seguida, fotografou cada uma dessas mulheres atuais com a fotografia escolhida ampliada ao fundo.

“Acredito que estas mulheres podem ser uns dos últimos registros de memórias vivas do período da escravidão, pois elas conviveram com avós e bisavôs escravizados”, comenta a artista em seu blog, onde você pode conferir o projeto completo.

(Foto: Pola Fernandez)

(Foto: Pola Fernandez)

(Foto: Pola Fernandez)