É uma relação de confiança e cumplicidade. Muitas vezes, passam horas conversando e estão em contato com frequência com seus clientes. Por isso, muitos cabeleireiros acabam relatando confissões de segredos e até violência doméstica que escutam dentro dos salões de beleza.

Pensando em transformar esses profissionais em aliados contra a violência física e psicológica sofrida por muitas mulheres, o estado de Ilinóis, no Centro-Oeste dos Estados Unidos, criou uma lei estadual que entra em vigor a partir do próximo 1º de janeiro.

Os profissionais de estética como cabeleireiros, manicures, esteticistas e massagistas vão realizar um treinamento para detectar sinais de abuso doméstico em suas clientes. Muitas vezes, a vítima busca por ajuda falando do que acontece em casa. É preciso estar atento aos relatos e, mais que isso, saber como agir.

Os trabalhadores também receberão um manual de como se comportar nessas circunstâncias. Há momentos em que é preciso evitar que a vítima volte para casa, pois ela pode estar sofrendo risco de morte.

O senador estadual  Bill Cunningham, um dos principais patrocinadores da emenda, lembra que esses espaços são genuinamente femininos e que trazem segurança a muitas mulheres. Em entrevista ao New York Times, disse: “Esses salões são um espaço seguro, onde podem sentar com outras mulheres, deixam cair sua guarda e confiam sobre como seu cabelo é trançado ou colorido, ou suas unhas aparadas e pintadas”.

Os profissionais da área que não fizerem o treinamento correm o risco de não renovar a licença para trabalhar nesses ambientes.