Depois de ter publicado uma imagem alterada em que Barack e Michelle Obama aparecem como macacos e ser acusado de racismo, o jornal belga De Morgen pediu desculpas nesta segunda-feira (24/03), alegando que cometeu um erro de julgamento.

A imagem foi publicada juntamente com um artigo no sábado (22), antes da visita do presidente Obama à Bélgica. O De Morgen dedicou sua edição de fim de semana ao líder norte-americano e “mudou” o nome da seção satírica “The Daily Herald” para “The Obama Herald”.

O texto devia ser uma peça satírica que também brincava sobre Obama vender maconha. O jornal publicou as fotos como se elas tivessem sido enviadas pelo presidente russo, Vladimir Putin. A imagem era acompanhada de uma mensagem dizendo: “Vladimir Putin é o presidente da Rússia. Ele nos enviou este conteúdo a nosso pedido, e optou por enviar fotos em vez de texto porque ‘não tem muito tempo’”.

 

De Morgen se desculpou na manhã da segunda, dizendo que era culpado pelo “mau gosto”. “Quando você considera o fragmento fora do contexto, que é uma seção satírica, você não vê a piada, mas apenas uma imagem que evoca o puro racismo”, afirmou o jornal. “Nós erroneamente supomos que o racismo não é mais aceito e, desta forma, poderia ser o assunto de uma piada”.

Na internet, várias pessoas compartilharam a página do jornal com a foto, enfatizando o preconceito da publicação. Foi o caso do escritor Chika Unigwe, nascido na Nigéria. “Então a foto dos Obama como macacos no De Morgen é a tentativa do jornal de fazer uma sátira. Eu esqueci de rir #racista”, escreveu no Twitter.

Entretanto, houve também quem defendesse a publicação, afirmando que foi apenas uma piada. Um leitor não identificado escreveu que “estava na seção satírica. Eu sinto que isso deveria ser mencionado”.

Essa não é a primeira vez que um jornal se desculpa por supostamente retratar o presidente Barack Obama em uma situação racista. Em 2009, o New York Post fez uma retratação oficial depois de ser acusado de racista por ter publicado um cartum que algumas pessoas interpretaram como comparação de Obama a um chimpanzé violento morto pela polícia.