Vamos combinar, o autoproclamado “Estado Islâmico” não é nem Islâmico, muito menos um Estado. A visão deles do Islã é totalmente corrompida e distorcida. Além disso, o EI não é reconhecido como estado por nenhum governo do planeta, e controlam as pessoas pelo terror e intimidação, não através de uma constituição. Então vamos chamá-los por o que eles realmente são, “daesh”.

Antes do nome “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”, e do mais recente e curto “Estado Islâmico”, o grupo era conhecido como “Daesh”. O termo daesh é uma sigla para “Al Dawla al-Islamyia fil Iraq wa’al Sham”, um dos primeiros nomes do grupo.

Mas aqui está a ironia, em árabe, daesh é basicamente um insulto. É uma palavra usada para definir uma pessoa preconceituosa que quer impor sua visão nas outras pessoas. Pois é. É mais ou menos como um grupo de terroristas que matariam um monte de gente simplesmente por acreditar em coisas diferentes. Soa familiar, não é mesmo?

A ideia de chamar o Estado Islâmico (última vez, ok?) de Daesh foi proposta pelo governo francês. Ao se recusar a chamar o Daesh pelo seu nome mais atual, o governo francês espera deslegitimar o grupo. Os franceses também repararam que o Daesh é um grupo de terroristas, e não um governo islâmico legítimo.

François Hollande, Presidente da França, em discurso após atentado terrorista em Paris.

Além do mais, a maioria das autoridades muçulmanas ao redor do mundo já denunciaram o Daesh, e é duvidoso que o povo vivendo sobre suas regras o considerem um governo legítimo. Fora isso, chamar os membros do Daesh pelo que eles realmente são – preconceituosos que impõe sua visão sobre os outros – parece bem apropriado.

A melhor parte disso é que chamar o grupo terrorista de Daesh parece que os irrita bastante. O Daesh ameaçou cortar a língua de quem os chame por esse nome.

Claro que os esforços dos franceses de insultar e deslegitimar o Daesh só vão funcionar se a mídia – e os governantes – começarem a adotar o antigo-novo nome.

Para mim, Daesh parece um nome bem mais apropriado.