Grande parte dos deficientes tem um desejo em comum: ser tratado como pessoas normais. Eles obviamente têm necessidades especiais, mas não querem ser vistos como diferentes. Por isso, quanto mais inclusivas e discretas forem as suas adaptações para a vida em sociedade, melhor é a solução.

Esse relógio foi criado seguindo essa premissa, atendendo à necessidade de um colega de classe do designer Hyungsoo Kim. Durante as suas aulas no MIT, Kim ‘era o relógio’ do seu colega, que por ser deficiente visual, estava sempre perguntando, baixinho e discretamente, que horas eram.

Chamado de Bradley Timepiece, em homenagem ao militar Bradley Snyder, que perdeu sua visão em um acidente no Afeganistão, o relógio permite saber o horário atual a partir de duas bolinhas magnetizadas, que giram em um mostrador metálico, com relevos para a marcação das horas. Basta checar a bolinha que roda na parte externa do círculo para saber as horas e perceber em que posição está a bolinha que gira internamente, que marca os minutos. Tudo muito simples, com reconhecimento tátil e, principalmente, silencioso.

 

Na imagem do relógio, em sentido anti-horário: corpo de titânio durável e fácil de limpar; marcas das horas em alto-relevo para facilitar a leitura pelo toque; bola de rolamento frontal indica os minutos; marcas maiores (3,6, 9 e 12) são texturizadas para distinção das marcas maiores; bola de rolamento lateral indica as horas.

A alternativa anterior para quem sofria de cegueira era um relógio que falava as horas ao se pressionar um botão, o que não é nada agradável. Imagine tentar saber que horas são no meio de uma prova! Altamente incomodativo para quem está ao redor. Saber as horas estando dentro de um trem também pode ser uma péssima experiência, já que o barulho do ambiente raramente permitirá ouvir o que diz o ‘locutor’ do relógio. Confira depoimentos sobre tentativas de ver horas por pessoas cegas e também como funcionou o processo de criação do relógio (em inglês):

Ser uma alternativa silenciosa é importante para os deficientes visuais, e a opção de perceber as horas usando o tato atraiu também outro público: as pessoas com visão perfeita. Isso porque passar os dedos sobre o relógio para saber o horário torna-se uma opção discreta e elegante o suficiente para quando se está em uma reunião, por exemplo. Ao invés de mover o olhar da pessoa que se apresenta para o relógio, atitude que alguns consideram bastante rude, é possível simplesmente deslizar os dedos por cima do mostrador, sem que ninguém perceba a sua pressa para ir embora.

O relógio pode ser comprado com uma pulseira de malha em aço inoxidável ou com uma pulseira de couro, em 3 cores diferentes.

Elegante e discreto, o Bradley Timepiece não parece um acessório para deficientes, caiu no gosto de muita gente que não sofre com nenhum problema visual e ainda está entre os favoritos para a premiação de Design do Ano do Museu de Design de Londres. Quem se interessar pode adquirir o seu por 195 dólares através da loja online.

Com isso, Hyungsoo Kim já pode considerar sua missão cumprida. Confira o vídeo da demonstração do relógio (em inglês):