Uma proteína encontrada em corais da Austrália impede que o vírus da imunodeficiência humana (HIV) penetre nas células do sistema de imunidade do corpo, segundo um novo estudo. A pesquisa liderada por Barry O’Keefe, do Instituto Nacional do Câncer, foi apresentada na reunião anual de Biologia Experimental em San Diego (Califórnia).

O vírus da imunodeficiência humana penetra nas células do sistema de imunidade do corpo. (Imagem: Alexey Kashpersky)

As proteínas, chamadas cnidarinas, foram encontradas em corais recolhidos nas águas do litoral norte australiano, e os pesquisadores se focaram nelas após examinarem milhares de extratos naturais no acervo biológico do Instituto Nacional do Câncer.

O’Keefe disse que a proteína bloqueia a infecção do HIV em concentrações de uma mil milionésima grama, suficiente para impedir que ocorra a primeira passagem da transmissão do vírus: a penetração do vírus na célula do sistema de imunidade, conhecida como célula T. As cnidarinas se enlaçam com o vírus e impedem que ele se funda com a membrana da célula T, o que é muito diferente do que se viu com outras proteínas, motivo pelo qual os cientistas acreditam que as cnidarinas têm um mecanismo de ação único.

A descoberta abre a possibilidade de adaptar essas proteínas para usá-las em géis e lubrificantes sexuais que brindem uma barreira contra a infecção do HIV. Koreen Ramesssar, membro da equipe de pesquisa, destacou que as cnidarinas poderiam adequar-se a esses produtos, que bloqueiam a infecção sem depender da disposição do homem a usar preservativo, e ao mesmo tempo não tornam o vírus resistente a outros remédios.

O passo seguinte neste estudo é o aprimoramento dos métodos para produzir proteínas cnidarinas em grandes quantidades que possam ser usadas a fim de identificar efeitos secundários ou sua atividade contra outros tipos de vírus.