Essa pergunta circula muito pelo Facebook e redes sociais em geral e parece uma dúvida legítima. O IBGE vem mostrando que o país bate recorde atrás de recorde, conseguindo as menores taxas de desemprego de sua história, enquanto os dados do Ministério de Desenvolvimento Social afirmam que um em cada quatro brasileiros recebem Bolsa-Família, 45,8 milhões de pessoas. Como isso é possível?

Antes de mais nada, deixo claro que vários tipos de críticas e elogios podem ser feitos tanto ao Bolsa-Família quanto ao IBGE. Ao responder a pergunta do título do post, não estou defendendo nem uma corrente, nem a outra. Trata-se apenas de esclarecer como a convivência de baixa taxa de desemprego e alta incidência de um programa social é possível.

Em primeiro lugar, é preciso entender o critério básico para que o benefício seja concedido. Não se trata de um seguro-desemprego. O importante é que, calculadas todas as fontes de renda da família, cada membro dela receba menos R$ 70 por mês. O Bolsa-Família continua valendo mesmo que alguém tenha um emprego com carteira assinada.

Outra coisa a se considerar é o critério de desemprego adotado pelo IBGE. O conceito de “empregado”, por exemplo, considera tanto pessoas com carteira assinada como as que não a têm. Além disso, quem trabalha por conta própria também entra na categoria de “população economicamente ativa”. Mesmo aqueles que não tinham nenhum trabalho, mas procuraram antes da pesquisa (geralmente, o IBGE considera até um mês antes), entra na subcategoria de “pessoas desocupadas”. Estas ainda não entram na taxa de desemprego.

Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que 72% dos beneficiários do Bolsa-Família de fato trabalham, formal ou informalmente. Isso explica, portanto, o fato de que as taxas de desemprego aferidas pelo IBGE continuem a cair apesar de o Brasil ter tantas pessoas com uma renda tão baixa que precisem do auxílio para sobreviver.